100 golos na época? Sporting e SC Braga têm companhia de clube da distrital

/ Futebol

26-03-2026 15:15

Quantos clubes lusos podem afirmar que chegaram aos 100 golos numa época? Alguns, mas esta temporada, em meados de março, apenas três o conseguiram - e um deles não atua nos «grandes palcos». Num lote liderado pelo {TEAM_LINK|16|Sporting}, com 109 golos marcados em 44 jogos, e com o {TEAM_LINK|15|SC Braga} a fechar o pódio, com exatamente 100 golos nas 49 partidas que disputou, o destaque é o Casa Pia AC B. A turma da III Divisão da AF Lisboa assume a segunda posição, com 103 tentos em 24 jogos. Os dados suscitaram a curiosidade do zerozero, por isso, o nosso portal decidiu analisá-los e conversar com dois dos protagonistas da equipa secundária dos gansos: o treinador, Joel Pinto, e o melhor marcador, {PLAYER_LINK|1285289|Mohamed Mané}. Os números do ímpeto goleador dos bês casapianos Na liderança do campeonato, o Casa Pia AC B protagoniza o melhor ataque (103 golos marcados) e a melhor defesa (13 golos sofridos) da prova. O curioso é, de facto, a forte presença ofensiva refletida na chegada aos três dígitos de tentos apontados. Um dos maiores destaques deste conjunto é a veia goleadora estar presente em todas as secções do campo. Um exemplo que o comprova é o primeiro golo da época ter sido anotado pelo ponta de lança, Mohamed Mané. Enquanto, por outro lado, o emblemático centésimo tento foi da autoria de {PLAYER_LINK|588025|Gabriel Varanda}, defesa central. Facto é que 17 dos 33 jogadores que representaram a equipa secundária dos gansos esta temporada já marcaram. Deste grupo que finalizou de forma certeira, cinco são defesas, outros cinco são médios e os restantes sete surgem no ataque, o que reflete a homogeneidade do grupo.{IMGHALF|DIR|1462659|Equipa B dos gansos} Os números não enganam e, neste caso, são notáveis. Falamos de uma média de 4,29 golos por jogo, repercutida em 19 partidas a faturar por, pelo menos, três vezes. A regularidade no ataque é visível, uma vez que, só não fizeram as «redes abanar» por uma ocasião (na única derrota, frente ao Assoc. Torre, por 2-0). A maior goleada, por sua vez, ocorreu a 17 de fevereiro, diante do União dos Santos (0-9), num jogo a contar para a 19ª jornada do campeonato. Com uma média de 21,97 relativa à idade dos atletas, esta equipa B foi criada em 2024/2025, época em que ficaram no terceiro posto, a dois pontos da subida de divisão.  A viver apenas a segunda temporada de existência, é a equipa com melhor média de golos por partida entre os dez conjuntos que lideram a lista de maior número de tentos apontados. Confira, por isso, o top 10 de clubes portugueses com mais golos em 2025/26: Equipa Golos Marcados Jogos Média de golos/jogo Sporting 109 44 2,48 Casa Pia AC B 103 24 4,29 SC Braga 100 49 2,04 Ovarense 96 31 3,09 Molelos 95 25 3,80 Barrancos FC 92 23 4,00 GDR Canaviais 92 23 4,00 Bairro da Conceição 90 25 3,60 GDS Cascais 86 31 2,77 Benfica 85 28 1,77 «Estamos a retratar o que pretendemos das camadas jovens» Aos 40 anos, Joel Pinto lidera a equipa B do Casa Pia AC, papel que partilha com o de Coordenador Técnico do clube. O natural de Viseu é, portanto, um dos principais obreiros desta época. O treinador revelou-se satisfeito com a meta atingida, apesar de ter apontado a «mira» a outros objetivos e destacado fatores complementares que compõem a época dos gansos.{IMGHALF|DIR|1462658} «Os nossos números são a consequência do trabalho que temos feito. No entanto, não temos nenhuma meta nesse aspeto. No discurso aos jogadores nunca me foco nos golos que marcamos, mas sim em manter a seriedade, independentemente do resultado. Depois as coisas surgem naturalmente», afirmou em entrevista ao nosso portal. «Nunca disse que temos de ganhar por muito, temos é de fazer bem o nosso papel para estarmos mais próximos de ganhar. Para mim, tão importante como fazermos mais de 100 golos é sermos a melhor defesa do campeonato», acrescentou. O técnico não deixou de referir a importância que esta equipa tem para a formação, funcionando como ponte para o escalão sénior e refletindo o trabalho desenvolvido nas camadas jovens. «A equipa de séniores B interpreta o que é feito nos escalões de formação, tanto a nível de modelo de jogo como de sistema tático. Somos o terminar da formação. Conseguimos espelhar a nossa ideia, desde o futebol de sete até aos juniores», confirmou. {IMGHALF|ESQ|1462657}«Estamos a retratar o que pretendemos das camadas jovens. A partir das dinâmicas ofensivas, da forma como defendemos e da mentalidade com que jogamos.» A exigência da divisão em que atuam e a principal mudança desde a época passada [primeira da equipa], também foram abordadas. «Estamos numa divisão que é muito difícil, ao contrário do que se pode pensar. Jogamos em campos mais pequenos, onde temos de adaptar o contexto e mudar a nossa identidade», conferenciou. «No ano passado construímos um plantel em duas semanas. Não foi um projeto pensado. Este ano a equipa é mais equilibrada. Conseguimos estar preparados para todo o tipo de jogo. Essa é a grande diferença», concluiu. «Nunca tiramos o pé do acelerador» Natural da Guiné-Bissau, Mohamed Mané tem sido o principal responsável por dar «alegrias» aos adeptos. São 22 golos em 21 jogos na liga para o ponta de lança de 21 anos. Com cerca de 21,36 por cento dos tentos da equipa, Mané revelou a importância da marca dos 100 golos entre o conjunto lisboeta.{EPOCA|DIR|JOG|1285289|0|0|0|0|0} «Comentamos muito este dado [no balneário]. Por exemplo, brinco com o Biel [Gabriel Varanda], porque foi ele que marcou o centésimo. Digo 'está aí o homem que marcou o golo 100' e rimo-nos juntos.» O avançado repete o número que atingiu na época anterior [em 2025 esteve nos melhores marcadores de Portugal], desta vez com seis jogos a menos (fez 27 em 2024/2025). No entanto, refletiu sobre o papel dos colegas no protagonismo que possui. «A base é o trabalho de grupo. Confiam muito em mim e nunca deixam de me ajudar. Não sou o 'craque' da equipa, temos um plantel muito bom», destacou, indo mais longe. «Queremos ser campeões e para isso temos de confiar uns nos outros. Procuramos sempre atacar e nunca 'tiramos o pé do acelerador'. O nosso balneário é muito forte. Temos de apostar na entreajuda se queremos ser o melhor ataque e a melhor defesa.» {NOTICIA_CAPA|ESQ|1015792}Apesar de ter números impressionantes, o jovem confirmou que o instinto é o principal motivo: «Não trabalho muito a finalização. Não faço treinos extras, sou simplesmente oportunista.» O guineense sublinhou ainda o peso que carrega pelo facto de liderar a lista de goleadores da equipa e por estar na segunda posição no que toca ao lote do campeonato, comandado por Pedro Taia, do Leões de Porto Salvo. «Sinto mais pressão por ser o melhor marcador. Esperam mais de mim, já desde o ano passado e os adversários já me têm em conta. Muitos centrais já tentaram apostar no jogo psicológico, mas sem sucesso», finalizou.