Bruno Pinto: «Na Arábia Saudita não olhavam para o futsal como nós»
/ Futsal
15-09-2026 18:30
A Federação Portuguesa de Futebol realiza esta semana o Open Day na Cidade do Futebol, com esta terça-feira a ser dedicado ao futsal. Várias figuras da modalidade estiveram presentes, entre elas Bruno Pinto, ala do Sporting, que, em conversa com o zerozero, falou da temporada goleadora e da sua passagem pelo campeonato da Arábia Saudita. Zerozero (ZZ):Sempre foi muito goleador mas na temporada acabou por marcar 56 golos. Foi o melhor marcador do Campeonato, da Taça de Portugal e da Champions. Qual é o segredo? Bruno Pinto (BP): Sinceramente, acho que atingi este número exorbitante de golos pelo trabalho que fazemos aqui no Sporting. As minhas características são de um jogador finalizador, de estar mais perto da baliza, de olhar mais a baliza e de finalizar. Aqui no Sporting temos muito volume de jogo, empurramos as equipas para o seu reduto defensivo, temos muita bola parada e depois com os executantes que temos e, claro, com o trabalho que fazemos durante a semana nesse momento específico do jogo, permite-me também estar em zonas de finalização mais perto da baliza e eu acho que isso é o conjunto de fatores que me permitiu fazer tantos golos. ZZ: Teve uma passagem pelo futsal da Arábia Saudita. Como foi a sua experiência num país tão distante e foram dos campeonatos tradicionais? BP: Foi uma experiência nova, num país totalmente diferente do nosso, numa cultura totalmente diferente da nossa, maneira de pensar, maneira de viver, o clima, mesmo os pavilhões, a maneira de estar, o balneário... tudo era diferente daquilo que eu estava habituado. Felizmente fui com portugueses para a equipa onde eu estive inserido. Fui campeão nacional lá também, ao lado de grandes jogadores que o clube conseguiu trazer. Futsalisticamente falando é muito diferente. O campeonato só permite três estrangeiros e os sauditas estão num nível ainda muito inferior no que diz respeito ao futsal. Na minha equipa tínhamos jogadores que tinham jogado futebol um ou dois anos antes. Era um campeonato que estava em evolução e em crescimento. {IMGHALF|DIR|1415121|Bruno Pinto foi o melhor marcador do Sporting na temporada passada} Tentávamos ajudar o jogador saudita a evoluir, mas era muito diferente. No clube onde estava, tentávamos trabalhar de maneira profissional, mas íamos jogar a outros pavilhões e víamos realidades que sinceramente desmotivavam. Não olhavam para o futsal da maneira que nós o fazíamos, entre as equipas que também os queriam ganhar já havia jogos bons na intensidade, mas pobres no técnico tático. Foi a primeira vez que joguei fora e isso fez-me crescer também como jogador e ver o futsal e a vida de outra maneira, mas, pessoalmente foi muito bom porque consegui ir para um sítio diferente, novo, e consegui ganhar e isso também me transporta para um outro tipo de felicidade. ZZ: Na temporada passada foi o jogador com mais jogos realizados no Sporting. Quão exigente foi a época e o que significa esse dado a nível pessoal? BP: É sinal que, como disse, a temporada foi muito exigente. Aqui no Sporting o nosso calendário é difícil e preenchido. Este ano ainda mais já que temos mais uma competição em que estamos inseridos e tentaremos ganhar com certeza. Para mim, esse dado significa que o trabalho que eu também fiz fora do campo, preparei-me bastante para evitar lesões deixou-me o mais preparado possível para poder ajudar o clube. Acho que esse foi também um voto de confiança que a equipa técnica me deu. Tenho que estar sempre preparado e fazer o meu melhor para poder ajudar o Sporting e se tive um número grande de jogos é porque também acreditaram em mim, tal como eu acredito muito no meu trabalho. ZZ: O Sporting começou a temporada com o pé direito, vencendo a Supertaça e a primeira jornada do campeonato. Quais são as expectativas individuais e coletivas para este ano? BP: Individualmente vou tentar estar o máximo preparado possível para poder estar em todos os momentos e acrescentar no que for preciso. Depois, a nível coletivo, o que nos apraz é que são seis competições este ano, no ano passado conseguimos vencer a Supertaça e a Liga dos Campeões, mas faltou-nos as outras duas taças e o campeonato e o Sporting, sendo um clube vencedor, precisa de vencer mais vezes. Agora é priorizar agora cada vez mais o treino para chegarmos a essa fase das decisões e, se possível, ganhá-las todas. {IMGHALF|DIR|1472520|Bruno Pinto em ação pela Seleção Nacional} ZZ: Leva apenas oito jogos pela Seleção Nacional. Espera ser presença mais assídua na equipa nacional? BP: Como qualquer outro jogador, tento fazer sempre o melhor no clube, porque, para já, nós devemos a nossa ambição, a nossa preparação, a nossa disciplina ao clube, porque se tu não estiveres bem no clube, nunca chegarás a uma seleção. O míster Jorge Braz, tem um leque gigante de opções e o futsal português conseguiu evoluir de tal maneira que o míster, quando abre o dossiê dele, deve ter mais de 30, 40 jogadores selecionáveis e pode trocá-los todos e sem afetar demasiado na qualidade que a nossa seleção apresenta. No meu caso, claro que não fujo à regra. Eu quero estar presente, e sei que também na seleção a competição é feroz, mas é como disse, quero estar preparado no clube, fazer as coisas bem. A Seleção Nacional é uma consequência do bom momento que tu atravessas no clube. ZZ: Como encara as mexidas no plantel do Sporting em relação à temporada passada? BP: Sim, tivemos umas mexidas no plantel acho que depois da pré-época muito boa que fizemos, com jogos muito exigentes, contra grandes equipas e depois começar as competições oficiais contra o nosso rival e poder ganhar, acho que para quem chega ajuda muito, porque trabalhar em cima de vitórias é diferente de trabalhar com resultados menos positivos. Depois temos dentro do balneário o que eu acho que é a nossa força, porque quem chega é bem recebido e em casa passado uma semana. Ninguém era desconhecido, à exceção do Rufino e do Sukhov que vieram de fora, o Eric e o Ruben já eram conhecidos, os miúdos que subiram da formação já trabalham connosco há muito tempo, portanto, eu acho que o balneário é muito bom e recebe bem, e isso também os adapta mais rapidamente àquilo que nós pensamos e queremos. Senti isso na pele o ano passado quando cheguei, adaptei-me muito rápido e isso também se deve ao facto do nosso balneário ser acolhedor e ser forte. ZZ: O João Matos era uma das figuras do clube e retirou-se no final da temporada. Como é este Sporting pós João Matos? BP: O João deixa um legado, na minha opinião, inatingível. São 25 anos dedicados ao Sporting sempre com aquela ambição e aquele sacrifício, a dar a vida pelo clube. As coisas poderiam não correr bem e ele dava aquilo que podia no momento, e acho que é esse um dos grandes legados que ele deixa. Infelizmente na nossa carreira nós não podemos jogar para sempre, mas acho que quem ficou também colheu um bocadinho do que ele era, e temos um bocadinho do capitão em cada um de nós nesse sentido. Portanto, acho que foi uma decisão natural e uma consequência também da nossa carreira como jogador.
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