Luís Magalhães e o basquetebol português: «Não vejo futuro»
/ Basquetebol
27-02-2026 15:06
É uma das personalidades mais icónicas do basquetebol português e que tem por hábito não deixar nada por dizer. Desta feita não foi diferente. Após vencer, pelo Sporting, a sua décima Taça de Portugal, Luís Magalhães, em entrevista à Lusa, tocou vários assuntos, nomeadamente o basquetebol nacional. Garantindo que não vê futuro, mesmo com eleições da FPB à porta, o técnico lamentou «o lugar em que deixaram o basquetebol» e afirmou que não espera que a situação vá «mudar substancialmente», dando o exemplo das participações das equipas portuguesas nas provas europeias. Pelo meio, Luís Magalhães mostrou-se totalmente focado em colocar o Sporting a «jogar o melhor basquetebol possível», explicando que voltou ao clube para «pagar uma dívida» que está quase a ser saldada». Luís Magalhães em discurso direto Estado do basquetebol português: «Não vejo futuro. Quando diz que estou cá há muitos anos, é verdade. Eu estive quando o basquetebol era a segunda modalidade, a primeira modalidade do pavilhão. E, neste momento, é para aí a quinta. Portanto, vejo com muita tristeza o lugar em que deixaram o basquetebol ano após ano, mês após mês. Sinto-me triste por estar nesta situação. Eu e muitos colegas meus passámos a vida a lutar pelo basquetebol e outras pessoas deixaram o basquetebol resvalar para este lugar que está neste momento. Estou muito interessado em, para já, acabar esta época, tentar pôr a equipa de Sporting a jogar o melhor basquetebol possível e fazer evoluir os jogadores. Sabe que já não é para mim nada disto. Eu já dei o meu contributo e agora vou ficar expectante a ver o que é que vai acontecer, mas já não tenho aquela idade para acreditar que isto vai mudar substancialmente» Falta de apoios: «Já pensaram porque é que a Ovarense e a Oliveirense não vão às competições europeias? Porque não têm meios. Eu lembro-me que há alguns anos a Ovarense foi a primeira equipa a conseguir passar a uma fase seguinte de uma competição europeia. [...] Acontece que nessa altura os apoios eram da FPB e da Câmara Municipal e, portanto, praticamente não entrava no orçamento do clube. Neste momento, a FPB põe-se de parte, paga uma verba irrisória aos clubes. É muito difícil. Os clubes pagam, pagam, pagam, não recebem quase nada e é muito complicado para os clubes conseguirem fazer o que é que seja» Taça de Portugal: «Já há um tempo que não entrava nenhum troféu e isto acaba por animar um bocado a malta toda. Desde a direção a toda a gente, pode ser que fiquemos todos um bocadinho mais alegres e mais satisfeitos» Treinar o Sporting: «Vim pagar uma dívida, porque eu já me tinha deixado disto. E o Miguel Afonso convenceu-me a regressar quando o Sporting regressou. E depois fui-me embora, porque tinha de me dedicar um bocadinho mais à família, visto que isto aqui é quase como uma prisão. E, depois, cometi uma asneira, indiquei ou ajudei a contratar um treinador que acabou por não dar muitos resultados e, portanto, fiquei com uma dívida para o Sporting. E vim cá pagar a dívida. E, portanto, está quase a ser saldada» Campeonato: «O Benfica é o candidato mais forte, é o que tem o orçamento maior e é o que, ao longo dos anos, tem estado muito bem. Teve agora a primeira derrota em dois anos em casa. Nós também conseguimos lá ir ganhar, também foi um feito, na minha opinião, da nossa equipa. É muito complicado. O Benfica tem uma excelente equipa, muito bem orientada, e, portanto, na minha opinião, é o principal candidato, assim como o FC Porto. A Ovarense e Oliveirense vêm no degrau a seguir, portanto, têm mais dificuldades, porque não têm os meios que as outras equipas têm»
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