No Emirates Stadium, ser jornalista é como andar numa montanha-russa a cada dois minutos
/ Futebol
16-04-2026 10:40
Orquestra mundialmente reconhecida? Nada disso. O exemplo máximo da coordenação e da sincronização são os adeptos do {TEAM_LINK|75|Arsenal} nas bancadas do Emirates Stadium. Pese embora estejamos a exagerar um pouco, a experiência que tivemos neste recinto na noite desta quarta-feira ajuda a explicar o que mencionámos em cima. Partimos para esta aventura londrina com a certeza de que iríamos encontrar um ambiente diferente daquele a que estamos habituados em Portugal. A nossa única experiência num estádio inglês deu-se há cerca de um ano e meio, então num contexto de lazer, quando fomos assistir a um Queens Park Rangers-Sunderland no Loft Road Stadium. Ainda que este encontro tenha sido referente ao Championship, a atmosfera que o envolveu foi claramente especial; assim, atendendo à maior dimensão do Arsenal e ao facto de o jogo ser a contar para a 2.ª mão dos quartos de final da {COMPETITION_LINK|27|Liga dos Campeões}, tínhamos boas expectativas para o duelo entre a equipa de Mikel Arteta e o {TEAM_LINK|16|Sporting}. De forma natural, assistir a um jogo em Inglaterra, ainda para mais a contar para a maior competição de clubes a nível europeu, é sempre especial. No entanto, no nosso caso, o que nos ficará mais na memória será um aspeto em concreto relacionado com os adeptos gunners. {IMGHALF|DIR|1474004|A distância da zona de imprensa para o relvado} Ao contrário do que acontece na maioria dos recintos em território luso - os do Famalicão e do Moreirense são das poucas exceções -, a zona de imprensa do Emirates Stadium é próxima dos bancos de suplentes, bem à inglesa. Ou seja, em vez de estarmos na bancada superior, a uma distância considerável dos protagonistas, aqui ficámos a poucos metros da ação. De resto, havia 'apenas' cerca de 15 filas de adeptos à nossa frente. Fizemos questão de colocar 'apenas' entre aspas, isto na medida em que estes fãs ingleses fizeram-se notar (e muito) durante o encontro. A partir do momento em que o Arsenal chegava aos últimos 20/25 metros do terreno de jogo, todos os adeptos, incluindo, logicamente, os que estavam em frente à zona de imprensa, levantavam-se de forma animada para viverem a jogada com mais emoção. O processo foi surpreendentemente agradável de se assistir porque, tal como já referimos, este 'levantar/sentar de novo' era feito com uma sincronização digna de registo. Quase como uma 'hola mexicana', mas de baixo para cima e não a percorrer todo o estádio. Assim, bem à imagem do que acontece numa montanha-russa, em que tanto estamos lá em cima como de repente já descemos, também os jornalistas (principalmente os que estavam na primeira fila) estavam constantemente a subir e a descer para poderem ver o jogo. Os avisos dos seguranças do estádio e da própria comunicação social foram muitos, mas a verdade é que esta situação se verificou durante os 90 minutos. Claro que, em certa medida, era algo incómodo; no entanto, a beleza do futebol é mesmo esta. Espetáculo leonino e a arte de bem receber inglesa À margem do jogo, houve vários outros pontos de interesse em Londres. Desde logo, é impossível não mencionar o espetáculo dado pelos adeptos leoninos em solo inglês. O ponto de encontro definido para os apoiantes portugueses foi a King's Cross Station, sendo que, depois, os leões podiam ir para o estádio de metro ou a pé. No nosso caso, optámos por acompanhar quem decidiu ir a pé e foi uma das melhores decisões que tomámos. Inspirados tanto pela vontade de chegar às meias-finais como pelas cervejas que foram bebendo no meeting point, os fãs sportinguistas fizeram os cerca de 3,5 km que separam a estação do estádio - 45 minutos de viagem - sempre a cantar. Arriscámos perguntar a um polícia inglês se tinha noção de quantas pessoas estavam naquele cortejo e ele respondeu-nos que, segundo as informações que lhe passaram, eram «cerca de mil adeptos». Não querendo nós ir contra a autoridade, acreditamos que eram bem mais... Que bela demonstração de apoio! Chegados ao recinto, encontrámos condições de grande nível para os profissionais da comunicação, isto na medida em que, antes do jogo, estavam a ser servidas refeições reais - quase 'banquetes', isto tendo em conta o que estamos habituados. Os funcionários da empresa de catering que operava no Emirates Stadium foi extremamente prestável, num cenário que nos deu força para as intensas horas de trabalho que tivemos pela frente. Se os jornalistas foram muito bem recebidos, os jogadores do Sporting não podem dizer o mesmo. Geny Catamo, por exemplo, foi assobiado durante todo o encontro, isto depois de um lance logo a abrir em que pediu faltou, ficou caído por terra e teve de ser assistido. Por seu lado, os atletas leoninos envolvidos nas substituições - tanto os que saíram como os que entraram - ouviram um 'Who?' [Quem?] em uníssono de todo o estádio quando os seus nomes foram proferidos nas colunas de som do recinto. Uma maneira divertida e saudável de provocar a equipa adversária.
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