Mohamed Aly: «Gosto do Sporting desde muito novo por causa do futebol e do Nani»
/ Andebol
11-06-2026 11:58
Mohamed Aly, guarda-redes egípcio de 34 anos, foi um dos elementos fundamentais para o Sporting conquistar três troféus a nível nacional em 2025/2026. Pouco tempo depois desse feito, o atleta falou ao Jornal Sporting sobre várias temáticas relacionadas com o universo leonino, além de relembrar a caminhada até chegar ao Pavilhão João Rocha. Mohamed Aly em discurso direto Percurso até chegar a Portugal: «No Egipto estava a ganhar tudo, jogava na seleção e, por isso, lá toda a gente me perguntava porque é que queria sair em 2021. Pretendia saber se era verdadeiramente bom ou não, se era capaz de chegar a este nível ou não. E revelou-se difícil encontrar clube na Europa, tinha 28 anos, não era um jovem. Então, fui para a II Divisão de França, Angers, assumi o risco e fui um dos melhores guarda-redes do campeonato, porém, até julho não tinha equipa. Com alguma sorte, o adjunto da minha seleção foi treinar uma equipa espanhola, do principal escalão, o Balonmano Sinfin, e disse-me: 'Aly, quero levar-te, mas sabes que não há muito dinheiro.' Não vim para a Europa para ganhar dinheiro, caso contrário, podia ter ficado no meu país. Fui e cheguei a estar nomeado para melhor guarda-redes da liga junto ao Gonzalo Pérez de Vargas. Nessa altura, ele era o melhor do mundo. Em 2023/2024, por seu turno, transferi-me para o Ciudad de Logroño, uma equipa que já lutava pelos lugares cimeiros da tabela, e começámos a época a disputar a Supertaça Ibérica. Defrontei o FC Porto na meia-final e penso que fiz uma boa exibição. Depois, um colega meu jogou frente ao Sporting no encontro de atribuição do terceiro/quarto lugar. Alguns meses mais tarde, o meu agente disse-me que poderia surgir uma oportunidade interessante no Sporting. A minha resposta foi imediata: assino. Pedi-lhe apenas que tratasse de tudo o que fosse necessário, da minha parte não existia qualquer dúvida. Tinha muita vontade de jogar aqui e isso bastava-me.» Motivos para assinar pelo Sporting: «No ano anterior à minha chegada, já acompanhava os jogos do clube, era uma equipa em clara ascensão e que começava a conquistar títulos. Falava-se muito do Sporting como um projeto a seguir com atenção, devido ao crescimento que vinha a demonstrar. Além disso, o Sporting é um clube muito conhecido no Egito. Penso que, em Portugal, nem sempre se tem essa perceção [risos]. Vejo pessoas na rua com camisolas do Cristiano Ronaldo e existiram jogadores egípcios bastante mediáticos que passaram por aqui, como o Shikabala, uma verdadeira estrela no meu país. O Rami Rabia também representou o Sporting, embora tenha tido menos protagonismo. Desde muito novo que simpatizava com o clube, sobretudo por causa do futebol. Lembro-me de acompanhar o clube e de admirar jogadores como o Nani.» Adeptos do Sporting: «Estão sempre connosco. Nesse jogo [frente ao FC Porto no Andebol 1] até fizeram aqueles retratos dos jogadores e isso para nós é ‘uau’! Isso diz-nos que esta gente não brinca [risos]. Fazem essas coisas por nós, para que sintamos que estão sempre ao nosso lado. Espero que continue assim e acredito nisso. Sabemos que podemos esperar sempre algo novo. Já fizeram uma música para o Salvador Salvador.» Salvador Salvador: «É o nosso capitão e admiro muito a sua mentalidade, bem como a forma como se expressa antes dos jogos. Tem uma liderança muito natural e percebe perfeitamente o papel que desempenha dentro do grupo. Não é fácil assumir essa responsabilidade, sobretudo com apenas 24 anos, no entanto, a verdade é que está ligado ao Sporting desde muito novo e conhece o clube como poucos. Ao longo da minha carreira tive vários capitães, mas assumir essa função com esta idade é algo ao alcance de poucos. Além disso, revela uma grande sensibilidade para lidar com o grupo. Quando alguém atravessa um momento menos bom, está mais desanimado ou simplesmente não se encontra nos melhores dias, o Salvador procura sempre apoiar e estar presente. É uma característica que valorizo bastante nele.» Relação com André Kristensen: «Temos uma relação muito boa. Talvez seja a primeira vez que partilho a baliza com um guarda-redes com uma diferença de idade tão grande, de quase dez anos. Pela experiência que acumulei ao longo da carreira, sinto que ele valoriza a minha opinião e confia em mim. Os dois queremos competir, jogar e ajudar a equipa. Falamos abertamente sobre isso e, quando existe uma concorrência saudável, todos saem a ganhar. Temos consciência de que nenhum guarda-redes consegue fazer uma época inteira sozinho e, por isso, aprecio bastante a dinâmica que construímos. A nossa posição é muito específica e delicada, apenas um pode estar em campo de cada vez. No entanto, tudo se torna mais simples quando existe uma boa relação entre os atletas e o treinador consegue gerir essa situação da melhor forma.»
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