Rui Borges sobre o <i>Clássico</i>: «Queremos encurtar o espaço, mas já não dependemos só de nós»

/ Futebol

18-09-2026 13:28

O Sporting disputa a sétima jornada da Liga Portugal Betclic 26/27 em Alvalade, no próximo sábado, tendo como adversário o FC Arouca. Na antecâmara da partida, Rui Borges, treinador dos leões, realizou a tradicional antevisão ao embate. Rui Borges: Análise ao adversário: «É uma das boas equipas do nosso campeonato. Apesar deste resultado menos positivo em sua casa, tem feito um início de época muito bom. É uma equipa que valoriza o jogo, gosta de ter bola e de tentar dividir o jogo ao máximo.» «Gosta de ter posse, é associativa, não perdendo verticalidade. Para mim, parece-me ainda mais consistente em termos defensivos. Espera-nos um jogo difícil contra uma equipa com uma boa ideia de jogo, o seu treinador é reconhecido por essa capacidade. Estamos focados no que seremos capazes de fazer para seguirmos o nosso caminho.» Falta de consistência: «Percebo a vossa parte, falar sobre perder um ou outro resultado nos últimos minutos, mas também já ganhei nesses momentos. Temos de olhar para os detalhes, temos dois empates com dois autogolos. São coisas que não controlámos.» «Em termos de consistência, e vou puxar atrás a cassete e relembrar o que tem sido o trabalho da equipa técnica [de] Rui Borges], a consistência é que foi campeã nacional, esteve em duas finais da Taça de Portugal, numa final da Taça da Liga, também na meia-final dessa prova. Disputou uma Supertaça, fez 82 pontos em duas épocas.» «É a equipa técnica que mais golos tem à frente do Sporting, isso também refere que temos momentos em que estamos mais expostos. Somos uma equipa que quer marcar e marca bastante. Se olhar só para a parte negativa... Olho para as coisas boas. Temos de ser mais consistentes em alguns comportamentos, estamos cientes desse trabalho e otimistas sobre isso. De forma global, o nosso trabalho tem sido bastante positivo.» Clássico: «Estou preocupado apenas com o nosso jogo, queremos uma vitória perante os nossos adeptos.» Ideia para o meio-campo: «A pré-época serve para conhecer as dinâmicas, depois temos de tomar decisões. O Pedro [Lima] tem crescido imenso, vem de um contexto diferente, de uma equipa que defendia com bloco baixo e agora tem de ter posse, bola, jogo posicional e tomar decisões mais rápidas. O Silas [Andersen] tem aparecido muito bem. Estou feliz com todos os jogadores que temos e eles terão oportunidades.» Inácio na seleção: «Feliz por vê-lo na seleção, se calhar não esteve tão mal nos jogos como vocês dizem. Falha mais porque arrisca mais que os outros. Tem feito um trabalho imenso, de muita consistência. Está focado, tranquilo. Acredito que irá aprender muito com Jorge Jesus, porque é um grande treinador.» Eduardo Quaresma e Flávio Gonçalves fora da seleção A: «Não sou ninguém para justificar convocatórias ou escolhas, cada um tem as suas. Escolheu os melhores para eles. A seleção dele é a nossa, a minha. Tanto o Edu [Quaresma] como o Flávio [Gonçalves], a seu tempo, vão estar na seleção. Sei bem do crescimento que têm tido, sabem o que têm de fazer melhor para entrar nas futuras escolhas do selecionador. Vejo com bons olhos quem foi convocado, não tenho dúvidas que no futuro estarão outros.» Boletim clínico: «Para este jogo, estão fora apenas o Ba, o Moncef e o Blopa, por opção técnica. O João Simões está convocado. Olhar sobre o crescimento do Sporting: «Esse crescimento está relacionado com os jogadores que ficam na mudança de época, para ver e demonstrar a exigência do Sporting. Não fugimos à nossa formação, do jogador português.» «O nosso mercado é caro, cada vez mais. Olhamos muito para o jogador luso e que já está inserido no nosso campeonato. Mas as equipas como FC Famalicão ou SC Braga vendem os jogadores muito caros. Acabam por condicionar as nossas compras e o olhar para jogadores internos. Como clube, olharemos sempre e muito para o jogador português.» Sporting é uma das equipas mais jovens do campeonato, há falta de liderança?: «Os capitães da equipa estão lá. Há jogadores que são líderes por natureza e, com o passar do tempo, vão aparecer. Temos uma equipa jovem, mas não me preocupa. Temos de puxar, individualmente, nesse sentido para alguns crescerem. Têm de perceber a exigência Sporting e passar a quem ainda não entendeu.» Lado emocional de Inácio: «Não posso confirmar se vai ser titular ou não, nem ele sabe. Está tranquilo, há coisas que não se controlam. Tentou fazer o melhor possível. O autogolo não é dele, mas sim da equipa. Fomos penalizados num momento, num jogo onde não deixámos o adversário criar perigo.» «Olho para a parte positiva das coisas. Empatámos dois jogos, é certo, mas temos de estar tranquilos. Estivemos bem organizados. Fizemos o suficiente para ganhar o jogo. Numa equipa nova, estamos em crescimento contínuo, mas queremos crescer a ganhar e estar entre as decisões, lutar por tudo.» Contexto do arranque de época do Sporting: «Ganhar é muito importante porque, primeiro, chegamos a este jogo após um resultado menos positivo e se queremos ser campeões, temos de ganhar. Queremos jogar bem, melhorar...» «É importante entrar na pausa com uma vitória, não deixar entrar a desconfiança - mais individual do que coletiva. Manter os níveis de confiança altos. Temos uma deslocação difícil a Braga. Queremos voltar às vitórias e encurtar o espaço, já não dependemos só de nós. Estamos focados no que controlamos. Temos menos quatro pontos do que queríamos. Temos de crescer a ganhar.» Adeptos têm maturidade para respeitar crescimento?: «A exigência vai existir sempre, é natural. Tem de existir, seja do adepto ou da estrutura. O jogador não se pode acomodar. Temos de saber lidar com ela. É perceber o contexto das coisas, olhar para o trajeto e não apenas para dois jogos.» «Tenho duas derrotas no Sporting para o campeonato. Queria ganhar mais? Muito mais. Queria ganhar os troféus? Queria, mas não consegui. Mas estive lá, farei de tudo para estar lá. Seja campeonato ou Champions. Em relação ao nosso trabalho, estou muito feliz. Isso deixa-me tranquilo e motivado para o nosso futuro como clube. Vamos estar nas decisões.» Gestão de Flávio Gonçalves: «Às vezes é entendimento de jogo, por vezes é tática. Perceber a parte física do atleta. Fez golos, assistências, mas temos de olhar para a consistência do jogo dele. Tem de existir um equilíbrio e perceber que não fez tudo bem.» «É um predestinado, tem de crescer com os pés na terra. Tem de continuar nesse crescimento, no momento em que não perceber isso vem para baixo outra vez. É um puto esperto e trabalha bem.»