«O próximo passo da Federação deve ser pensar na profissionalização da Liga BPI»

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25-09-2026 15:41

A profissionalização da {EDITION_LINK|218335|Liga BPI} esteve no centro de uma conversa sobre o futuro do futebol feminino português, esta sexta-feira, no Portugal Football Summit. Representantes de Benfica, Sporting, FC Porto, SC Braga e Torreense debateram a sustentabilidade dos projetos, as condições de trabalho, a retenção de talento e a presença de público nos estádios. «Ter 23, 24 jogadoras profissionais não chega, todos os serviços têm de o ser e uma Liga mais forte faz-nos crescer a todos», defendeu {DIRECTOR_LINK|498|Mónica Jorge}. A dirigente do Benfica apontou à Federação um objetivo: «A liga tem de crescer em Portugal e o próximo passo da Federação deve ser pensar na profissionalização da Liga BPI.» Também destacou o papel da formação. «A formação é a sustentabilidade.» Duarte Oliveira reconheceu que o caminho ainda apresenta obstáculos financeiros. «O futebol feminino não é ainda sustentável, precisamos do masculino, das receitas europeias, dos direitos», afirmou o representante do SC Braga. Ainda assim, considerou que «a Liga BPI caminha para uma profissionalização» e defendeu «uma boa segunda divisão», na qual as equipas B possam alimentar as equipas principais. O dirigente bracarense deu o exemplo de {PLAYER_LINK|600375|Nádia Bravo} para mostrar a importância das condições oferecidas às jogadoras. Segundo contou, um clube - no caso, {TEAM_LINK|25421|North Carolina Courage} - apresentou uma proposta pela atleta e pagou a cláusula de rescisão, mas esta optou por ficar no SC Braga. «Disse que era feliz aqui e tinha todas as condições», relatou Duarte Oliveira. Recorde-se que o zerozero havia dado conta deste volte-face no último mercado de verão. As infraestruturas foram outro tema da conversa. Mónica Jorge revelou que o Benfica, que já dispõe de um campo exclusivo para a equipa feminina, tem um projeto que inclui outro campo e um edifício de apoio. No Sporting, também estão previstas mudanças. «Vamos ter o nosso próprio campo na Academia e serviços dedicados. Vai acontecer nos próximos meses», anunciou {COACH_LINK|96902|Bárbara Paulino}. Hugo Feliciano descreveu um cenário diferente no Torreense: «No ano passado, jogámos em cinco campos, treinámos em quatro.» O clube mudou entretanto o relvado do seu estádio e procura, com a autarquia, soluções para os treinos, enquanto trabalha na criação de um centro dedicado ao futebol feminino. «É um esforço enorme da estrutura e das atletas, uma atitude extraordinária», sublinhou. Levar mais adeptos aos estádios é outro desafio. Bárbara Paulino defendeu que um jogo deve oferecer mais do que os 90 minutos: «Sou apologista de trazer novas experiências, mini atividades dentro do espetáculo; que o adepto saiba que vai passar duas ou três horas no universo Sporting CP.» A representante do Sporting lembrou ainda que é preciso a equipa «mostrar e provocar emoções nos adeptos» e que a bilhética tem peso na sustentabilidade do projeto. No FC Porto, José Manuel Ferreira fez um balanço positivo da resposta do público. «Batemos o recorde de público, temos adeptos muito sentimentais, imbuídos do espírito do FC Porto, e na Liga BPI o feedback tem sido positivo», afirmou. O objetivo, acrescentou, é aumentar o número de espectadores e «mostrar coisas diferentes para fazer o espetáculo crescer».